sábado, 5 de julho de 2014

Que tal um derrame do gostinho do inferno nos seus cabelos tão angelicais?

Meu corpo é uma alma vaga. Vaga por aí a fim de encontrar uma pequena vaga em algum pulmão (o coração já deve estar esgotado de bilhetes de uma típica megacena). Espalha silêncio mas vive de palavras. Observa que os outros alimentam-se de ilusões para viver. O meu corpo é movido a sonhos, que deterioram cada fissura de esperança quando lhes é atirado uma pedra grande e fria. Praticamente. Nada que um belo balde de água fria não resolva o nosso excesso de desejos. Ações e emoções já se distanciam no primeiro momento em que você se dá conta de que o ideal nem sempre é o que aparenta. Sabe o que cairia bem nesse seu rosto de anjo? Um pouco de felicidade dilacerada por momentos inesquecíveis, porque a única coisa que consigo enxergar é morte. Querido, e doce anjo da morte. Te amei mais de uma vez, isso já não te basta como guloseimas rotinais? Alimente-se então o mais rápido possível. A paixão acabou, escafedeu-se, foi-se como uma pomba feliz ao tentar encontrar uma nuvem como morada. E eu penso com meus eus arrastados por corrente sob o pescoço de uma fera: "Ainda bem". Um simples sentimento de alívio por não ter que participar do seu círculo de fogo, estava monótono demais. Temos às vezes, querido, que mudar as vítimas, se não o estômago perde o senso de humor. Eu te derramei, enfim, o meu balde de água congeladora de perspectivas sem futuro. Me agradeça por não ter molhado seus cabelos de anjo.

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