domingo, 13 de dezembro de 2015

Confissões de uma míope

Nesses dias tenho me dado conta da minha constante prática de não apreciar os detalhes. A simplicidade me encanta, mas a cegueira, às vezes, festeja nas minhas lentes arranhadas. E lá estava ela fazendo isto ultimamente, pra ser exata, novamente. O foco às vezes não mostra a nitidez que você queria, mas talvez não fosse mesmo o que precisava. Afinal, a vida é sempre a última a dar a palavra, a moral, a bofetada. Mania que tenho de andar pelos cantos em linha reta, mas me sinto perdida na tortura dos meus eus. São tortos, gostam de deslizar, gostam de não ter direção. São estes pensamentos que fazem o que sou no momento, ou só por enquanto que a chuva não passou? Ficamos presos a momentos, somos reféns do tempo. Apreciar cada sombra, cada desfoco, cada enfoco, cada detalhe. O borrado não beija os meus olhos, nem as minha lentes ofuscadas. Beija a mente de qualquer um que insiste em se prender a momentos. Às vezes eu me perco: na noção de espaço, lugar, tempo. A linha de pensamento se torna defeituosa, como se eu me esquecesse por um momento de abrir a corrente, de me permitir, de voar. Apreciar essa prisão escassa, como se fosse direcionar meus ouvidos, meus olhos e meu corpo. Mas afinal, minhas lentes são grossas e apesar de arranhadas, ainda consigo enxergar os pequenos prazeres da vida. São vários míopes sem óculos. São vários óculos sem foco.

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