domingo, 10 de abril de 2016

O frasco da Senhora da Sabedoria

Ela cheira à rosas de todas as cores,
à cartas antigas de vários amores
à brotos crescendo, de plantas já crescidas.
em seus óculos, finamente equilibrados
nas bordas dos seus olhos meio afundados, mas atentos
campos de girassóis se espalham
em suas pupilas
seu vestido florido, de cores preta, azul e amarela
é um jardim ambulante de bengala e fivela
ela assiste a novela e mesmo assim sabe
que a realidade é boa demais pra se viver
que na vida tem sempre algo a mais pra se aprender
todo dia ela se encontra na cadeira sentada
com seus pesinhos quietinhos no banquinho improvisado
é na simplicidade que ela deita e rola nos seus pensamentos sábios
seu riso é música antiga
nada de bossa nova, rock ou samba
é a música do vento frio soprado pelos coqueiros sentinelas
de sua morada eterna
os grilos formam a orquestra sinfônica
sítio novo é sua casa Branca
velho é seu apelido, ah, mas velho é só as estradas!
já comentou certa vez outra Senhora da Sabedoria.
ela pega sua agendinha todo domingo santo
o telefone escuta sua voz baixinha
até que ele deixa seus ruídos de lado, em troca daquela voz carinhosa
daquele cheiro de perfume dos olhos d'água encontrados
ela liga gentilmente, fala com seus filhos
escuta-os, entende-os, aconselha-os
através de um som, palavra ou palpite
e os embala como pequenos bombons de chocolate trufados,
e os coloca na cama com um beijo de boa noite
eles vão dormir sossegados e sortudos
por ela ser assim
livre, espontânea e cheirosa
uma flor mimosa que renasce
e vive
da
simplicidade.

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