sábado, 16 de julho de 2016

Realistas precavidos ou românticos à beira de um mar de lágrimas?

Eu estava apaixonada por ele ou terá sido só um pequeno refúgio criado pela minha mente? Será que eu realmente sei o tamanho do abismo existente entre amor e paixão à primeira vista? Pra mim, o ultimato do cheque mate lançado pelo destino, é olho no olho, e o mundo de repente pára. Esse era o tiro pela culatra, com direito a cartão perfumado do carrasco disfarçado, um cheiro suave e vibrante ao mesmo tempo, nomeado Amor. Era eu assinando o contrato de não ressucitamento após uma cirurgia perigosa. Era eu entrando no carrossel gigante e colorido, sabendo que ia cair. Era eu entrando no trem fantasma de um parque de diversões qualquer, sabendo que não iria me assustar com bonecos fantasiados mas... por que não? O trem emperrou e o escuro de repente ficou rodeado de susurros
-eram seus olhos cobertos de enigmas, gritando. Talvez o inesperado me impressionasse. O imprevisível é sempre essencial aos olhos, ainda que não seja o melhor de todos... é o essencial, naquele momento. Eu não sei o que diabos eu estou fazendo da minha vida. Estava assistindo a um filme, em que, em certo momento a menina cita algo que me deixou meio pensativa. Ela dizia que o mundo era dividido entre românticos incorrigíveis e realistas. É claro que a minha mente instantaneamente se atraiu pela palavra relacionada à romance, e quis se encaixar logo nessa "categoria". Mas a verdade é que, todos nós temos um pouco de romance dentro de si, alguns de mais outros de menos, e também um pouco de realismo. Alguns demais, outros de menos. E se minha bagagem estiver com excesso de romance, no momento? Então, estou no caminho certo, porque não é disso que a vida se trata afinal? De momentos?  As metamorfoses contínuas, quando não no corpo, na mente. Mas eu olhei pra ele, e o mundo parou, e eu tinha certeza que era ele. Uma certeza tão leve quanto uma pena que aparece no meio do nada, e voa para bem longe, até sumir em meio ao vazio. Pensando bem, o realismo é um ótimo protetor contra esses tipos de situações, aquelas em que você sai atingido emocionalmente. Uma boa dose de cinismo não machuca ninguém, pelo contrário, protege. Pode até parecer uma barreira- e é- construída com o propósito de evitar o envolvimento com algo que todos nós sabemos qual vai ser o final, decepção. Relacionamentos são processos lentos e cansativos. O amor é algo lento, barulhento, imprevisível, mas não cansativo. É melhor ser um realista cínico, que provavelmente será visto como um ser insensível e pessimista, mas ao contrário não se machucará emocionalmente- quem garante?-, do que ser um romântico idealizador, onde cria no seu mundinho colorido um mar de rosas acompanhado de expectativas e a vida numa terra sem tempo cronometrado, sendo que tudo é inventado, é pura imaginação-às vezes sim, às vezes não. Mas, viver de ilusão é o mesmo que praticar vudu com seu próprio boneco. Autosabotagem. Certo, o romântico incorrigível cria amortecedores para suas quedas. Na verdade, são apenas paralizantes, daqueles usados em animais que tem o comportamento agressivo ou alterado por algum motivo, sendo que estão vencidos, com problemas na duração da dopagem. De repente o efeito para, e a dor dobra. A dor triplica. A dor cura cicatrizes abertas, às vezes. A dor te deixa sóbrio, te revela muitas vezes algo que na sua mente fazia o maior sentido, mas nem existia na verdade. A dor faz parte do embelezamento da vida, é necessária. Afinal, é também no caos que se encontra a paz, é nos defeitos que a verdade se amostra, são dos erros que vêm os acertos. Eu ainda não sei em qual categoria me encaixar, mas enquanto eu não achar, nesse momento, eu tenho data e hora marcada com um adorável e intrigante mistério, implorando pra ser desvendado.