domingo, 25 de dezembro de 2016

Tem gente morrendo nesse momento

Tem pessoas morrendo
guerras sendo revividas
tem guerra acontecendo nesse momento
a quilômetros, a metros
tem um menino morrendo do teu lado
tem vida sendo destruída
tem criança que não sabe mais chorar
tem adulto que não sabe mais falar
gagueja
gagueja
o que aconteceu?
minha família morreu
mas
mas mas
mas
há um minuto atrás
tudo era perfeito
morreu
da carne se fez cinzas
tem guerra acontecendo
tem gente morrendo
por vaidades humanas
por crenças deturpadas
por um "mundo melhor"
mal sabem que contribuem para o pior
mal sabem que multiplicam sangue dos irmãos
e pintam de vermelho um quadro limpo
eles sujam
fingem ser arte, mas é apenas a morte
petrificada em cada som
de cada bomba
de cada tiro
a hostilidade é multiplicada
acham que vão construir um legado
através de armas
acham que unanimidade é sinônimo de moral
acham que a indiferença é o que se faz imortal
mal sabem que a diferença permeia a magnitude
de ser único, de se encontrar
mal sabem que o amor é o que nos resta
mal sabem que o mau do mundo é não amar...


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ele bebe o Mar Negro

está cansado dos jogos da esquina, 
de andar pelas ruas, encarando as bitucas
de cigarro mal apagadas
de reparar os cigarros mal apagados
afinal, quem os repara?
de sair em novos encontros
com novas roupas
com novas folhas em branco
com o sentimento velho
com a alma desgastada
cansado de não enxergar rostos
ele só vê borros
riscos
caos
espera,
é o espelho
ele acorda todo dia,
encara a xícara branca com detalhes floridos
engole um mar Negro doce e amargo
lembra dos olhos dela
o vapor do café beija seus óculos
na sua mente seus lábios se desenham
na sua boca ele sente
vai para a esquina tomar um vento
sente
sente
não quer mais sentir
pesado ele encolhe-se na sua própria mentira
inventa de novo o final feliz
mentira
respira



Tudo é temporário

A vida é tão inexata. Isso é incrível e assustador ao mesmo tempo. A sua temporalidade me intimida, não posso mentir... "Tudo é temporário". De acordo com o dicionário, temporário é algo "Que dura por algum tempo; provisório, transitório". É tudo instável mas, se você acaba sentado num sofá grande e espaçoso, numa casa grande e espaçosa, com a mente pequena e espaçosa, quase incorporanndo um ponto preto no meio do branco, por um tempo longo e indeterminado, sem expectativas ou ambições... então se encontra na zona de conforto, na tão temida (às vezes sim às vezes não) estabilidade da vida. É claro que quando as pessoas se tornam imóveis por muito tempo acabam apodrecendo na própria jaula que criaram. Se tornam reféns do tempo, afinal não fazem ideia do que fazer com ele. Às vezes, eu sou refém do meu relógio. Quantos momentos não foram aproveitados por pura vaidade do pensamento que escolta minha mente "Tic tac O melhor está por vir, tic tac tic tac tic tac...". Se há um segundo eu me defini alguém, no outro esse "alguém" eu não mais reconheço. Somos borboletas gigantes e muitas vezes não sabemos aproveitar a fase no casulo. Muitas vezes não sabemos aproveitar nenhuma fase, afinal, estamos sempre ambicionando o futuro, o que está pra vir , de repente, torna-se melhor que o agora. De repente, não mais que de repente, jogamos nosso tempo fora a cada segundo que não vivemos a inconstância do agora. É como pegar uma ampulheta e quebrá-la, só que aos poucos, fazendo furinhos leves, aos poucos temos umas grande peneira de vidro sendo guiada por alguém cujas expressões tornam-se irreconhecíveis. Cecília de Meireles que o diga. Olhos amarronzados, óculos afunilados, narizes não mais empinados, a vida é um preto e branco que não parece tão divertido quanto nos filmes antigos. Alguém com um rosto borrado, que se julga morto aos olhos de quem os observa, diz que sua face verdadeira encontra-se nas fotos daquele tempo. Ah.. aquele tempo. Chega. Nada disso, nada de venerar o passado, idealizar o futuro e esquecer o presente. Que saiba viver aprendendo sobre a vida e seus mistérios, que possa morrer em cada final de sentimento e renascer em cada desilusão. Que a bola de cristal quebre para que eu não possa idealizar o inesperado, falsificar memórias, me derreter de prazer pelo que nunca existiu. E que meu relógio fique intacto, para nunca esquecer da efemeridade do tempo, que tudo passa, que o que é, já não é mais. Que quando vê, passou.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Engraçado

Andando de casaco preto pelos corredores azuis. Seus olhos. Olhando para o chão. Tentava passar despercebido, eu até entendi, entretanto, não. Seus olhos semicerrados diziam um pouco do teu grito. Quem és tu? Me tornei de repente, o lagarto questionador, além de fumante, de Alice. Eu tragava do teu cigarro metafórico, teu prazer pela vida e pelo mistério do mundo me fizeram os olhos brilharem. Serás mais uma lembrança do meu estranho futuro? Queria que ela não fosse apenas uma foto em memória, queria que não fosses apenas uma cena embaçada da minha mente, do meu passado. Não quero ter a incerteza do que poderia ter sido e não foi. Eu nem tentei nada, querido. Ainda. És engraçado, o destino, o acaso, Deus, planos, tudo isso é muito engraçado. Talvez eu não queira me deixar ser levada pelo acaso. Talvez, dessa vez, os meus 20 segundos de coragem insana tornem-se infinitos. Talvez eu queira ser a vela, a bússola da minha própria vida. De repente, me vejo numa caravela gigante, no alto mar, estou sozinha, o vento abraça meus cabelos, minha pele beija a brisa, me sinto viva, respiro e sinto cheiro de plantas verdinhas, árvores antigas, uma mistura de cheiro de nostalgia, do sítio da minha avó e das brisas de veraneios em Pontas de Pedra. Todos os melhores odores do mundo em uma viagem no meio do mar. Sonho. Toda caravela precisa de um abrigo para descansar, de uma ilha para ancorar e aprender a contemplar o mar e o resto do mundo, cada detalhe da cena. Na correria das ondas, no vaivém alheio da vida, esquecemos de contemplar o incrível azul do mar e o brilho que se forma quando o Sol se mostra. Ou o brilho em forma de triângulo dançante desenhado no mar, quando a Lua nasce. Azul, teus olhos e contemplo. Sabe que não notei teus olhos tão de perto? Tão...confusos mas com ares de encontrado. Que tolice a minha! É claro que não sabes do improvável que seria eu me apaixonar por você. Tudo é tão rápido, e nem começou dezembro. Queria poder parar o tempo. Quero te ler, Bon Jovi, queria saber das tuas canções preferidas, queria ser letra batida na tua boca. Queria poder te conhecer, mas sinto que já te vi em outra vida. Não vou me precipitar usando palavras no passado, eu ainda quero. Não morri, estou viva, os ventos continuam me abraçando, será que me empurrarão ao teu lado? Sei que eu já disse que quero ser a protagonista da minha vida, mas quem disse que o acaso não pode dar uma ajudinha? Enfim... finalmente encontrei a descrição da música Afterlife.Você é uma pessoa engraçada, mistura de Pink Floyd com Led Zeppelin e os Beatles. Incrível. Não vejo a hora de te encontrar.