quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ele bebe o Mar Negro

está cansado dos jogos da esquina, 
de andar pelas ruas, encarando as bitucas
de cigarro mal apagadas
de reparar os cigarros mal apagados
afinal, quem os repara?
de sair em novos encontros
com novas roupas
com novas folhas em branco
com o sentimento velho
com a alma desgastada
cansado de não enxergar rostos
ele só vê borros
riscos
caos
espera,
é o espelho
ele acorda todo dia,
encara a xícara branca com detalhes floridos
engole um mar Negro doce e amargo
lembra dos olhos dela
o vapor do café beija seus óculos
na sua mente seus lábios se desenham
na sua boca ele sente
vai para a esquina tomar um vento
sente
sente
não quer mais sentir
pesado ele encolhe-se na sua própria mentira
inventa de novo o final feliz
mentira
respira



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