quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Tudo é temporário

A vida é tão inexata. Isso é incrível e assustador ao mesmo tempo. A sua temporalidade me intimida, não posso mentir... "Tudo é temporário". De acordo com o dicionário, temporário é algo "Que dura por algum tempo; provisório, transitório". É tudo instável mas, se você acaba sentado num sofá grande e espaçoso, numa casa grande e espaçosa, com a mente pequena e espaçosa, quase incorporanndo um ponto preto no meio do branco, por um tempo longo e indeterminado, sem expectativas ou ambições... então se encontra na zona de conforto, na tão temida (às vezes sim às vezes não) estabilidade da vida. É claro que quando as pessoas se tornam imóveis por muito tempo acabam apodrecendo na própria jaula que criaram. Se tornam reféns do tempo, afinal não fazem ideia do que fazer com ele. Às vezes, eu sou refém do meu relógio. Quantos momentos não foram aproveitados por pura vaidade do pensamento que escolta minha mente "Tic tac O melhor está por vir, tic tac tic tac tic tac...". Se há um segundo eu me defini alguém, no outro esse "alguém" eu não mais reconheço. Somos borboletas gigantes e muitas vezes não sabemos aproveitar a fase no casulo. Muitas vezes não sabemos aproveitar nenhuma fase, afinal, estamos sempre ambicionando o futuro, o que está pra vir , de repente, torna-se melhor que o agora. De repente, não mais que de repente, jogamos nosso tempo fora a cada segundo que não vivemos a inconstância do agora. É como pegar uma ampulheta e quebrá-la, só que aos poucos, fazendo furinhos leves, aos poucos temos umas grande peneira de vidro sendo guiada por alguém cujas expressões tornam-se irreconhecíveis. Cecília de Meireles que o diga. Olhos amarronzados, óculos afunilados, narizes não mais empinados, a vida é um preto e branco que não parece tão divertido quanto nos filmes antigos. Alguém com um rosto borrado, que se julga morto aos olhos de quem os observa, diz que sua face verdadeira encontra-se nas fotos daquele tempo. Ah.. aquele tempo. Chega. Nada disso, nada de venerar o passado, idealizar o futuro e esquecer o presente. Que saiba viver aprendendo sobre a vida e seus mistérios, que possa morrer em cada final de sentimento e renascer em cada desilusão. Que a bola de cristal quebre para que eu não possa idealizar o inesperado, falsificar memórias, me derreter de prazer pelo que nunca existiu. E que meu relógio fique intacto, para nunca esquecer da efemeridade do tempo, que tudo passa, que o que é, já não é mais. Que quando vê, passou.

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