segunda-feira, 20 de março de 2017

Toc toc

Fantasmas que se esgueiram
silenciosamente no fundo do meu quarto
fazem de sofá o meu ouvido
fazem barulhos de palavras
minha mente os escuta,
repetem o que escolhi esquecer
de repente estou colhendo espinhos
é difícil
sangra, dói
as lembranças de um passado esquisito
esquecido, encardido
retiram o lençol empoeirado
que um dia pus lá
cospem em mim
a ilusão
de que um dia os queimei
toc toc
fantasmas
zombando dos meus planos escritos em tábulas rasas
me fazem curvar diante de um rosto
que já não pertence a mim
esse, já morreu.
fantasmas, riem
me abanam com os rasgos
dos papéis do lixo
que um dia joguei
e sem querer guardei
o lixo, camuflado de baú
não era o que eu pensei
fantasmas me arrodeiam
minha lembranças são hostis
vão embora!
de porta a fora
toc toc
quem é?
Presente.
Até que enfim.