sábado, 3 de junho de 2017

O preço da vaidade do ser humano

Até que ponto o ser humano irá sacrificar um outro ser vivo, diga-se de passagem tanto os animais racionais quanto os considerados irracionais, para fazê-lo sentir a sensação de poder? Ter a sensação de controle do mundo, pelo menos de algum mundo? Inventado por ele próprio, é claro. A ilusão de que ele ou ela é o rei de algo ou de alguém, mesmo que vivamos em um planeta que flutua numa galáxia que possui 400 bilhões de estrelas e alguns milhares de buracos negros. We are nothing. A globalização é só mais uma ferramenta de criação humana a qual o próprio criador não sabe usar em prol de um benefício maior que ele. Os meios de comunicação sociais tem sido utilizados como uma arma nuclear do século XX. Einstein e Jobs devem se revirar pelos túmulos. É claro que não se pode negar a quantidade de amor que é espalhado pela internet, televisões ou jornais,  que ajudam milhares de seres vivos, através da visibilidade de ações de denúncias, casos de doação de dinheiro ou o compartilhamento de alguma informação com um pensamento diferente que fez um outro refletir, ou somente causar uma discussão saudável. Mas não se pode negar a existência dos  casos em que a ruptura só aumenta. Pessoas tratando a outras como deuses; milhares de seguidores numa conta de rede social são números que ,de repente, são mais importantes do que seu CPF, ou o número da sua conta bancária, ou da data do seu nascimento! Passamos a acrescentar mais símbolos ao nosso rótulo: além da roupa que vestimos e da marca que ela carrega, além do carro que compramos, além do valor daquele relógio ou batom que usamos e recomendamos para todos que conhecemos porque, afinal, consumir é sinônimo de felicidade, passamos a ser números de seguidores e likes do Facebook ou Instagram. São números, números e mais números, todos ocupando um rótulo constante de várias grades de bebidas - às vezes cheias demais, às vezes vazias demais- nunca menos que o limite, e sempre presas. O ser humano e a sua estranha preferência por excessos. Ao sair de casa eu vejo um mundo, que é diferente de todos os outros, e frases também, que são iguais a todas as outras. Elas se repetem em todos os lugares:  "amor e paz", "menos guerra, mais amor", "todos nós somos passageiros", "carpe diem". Não custa nada você parar pra pensar e realmente comparar elas com o seu cotidiano? Será que elas existem perto de você em forma de ações ou com a função de apenas palavrear? Ou de estética? Mas é claro! Você curtiu tanto a ponto de pôr no seu perfil do Twitter, porque "te define", seja lá o que ela signifique, afinal, todo mundo usa. Ou na legenda daquela foto que você tanto queria postar. Ou naquela camiseta legal que todo mundo do seu grupo de amigos têm usado ultimamente. São só mais frases batidas na boca das pessoas, em blusas estampadas com desenhos de animais "fofos" ou em legendas de fotos sem nenhum propósito. Assim como "love", que tem que ser mesmo o nome em inglês, porque em brasileiro "é feio". É a banalização do real significado das coisas. Não me leve a mal, não acho que tudo tenha que ser problematizado, mas o ponto é: as atitudes precisam ser mudadas. Eu não sou tola por acreditar que uma ação solidária, como um abraço, uma prestação de ajuda a quem necessita, uma denúncia a algum maltrato, realmente possa ajudar o mundo a sobreviver, em meio a quantidade de doenças irreversíveis que existem, ou de casos de abusos psicológicos e físicos à crianças, adultos e idosos, de todos os gêneros, que estão acontecendo a cada minuto nesse exato momento em que você lê, ou a quantidade de pessoas com fome dispostas a matar por leite ou comida, ou a quantidade de pessoas que estão sem voz no seu país, na sua própria casa, e que são obrigadas a fugirem por falta de liberdade. Esses assuntos não podem ser omitidos, esses sim, devem ser batidos na boca de todo mundo, mas não é só falar sobre eles, muito menos criar teorias extensas de soluções. É praticar as soluções, é a prática mínima de amor possível.O mundo está doente, e a urgência é da humanidade, do amor e da empatia. O ser humano criou a internet para iludir, criou as frases curtas com significados profundos mas que ninguém realmente vai parar pra pensar neles, porque o rápido, o instantâneo, a quantidade mais alta de seguidores é o que realmente traz lucro. Você tem que saber a língua do dinheiro se quiser viver no planeta Terra. A posição do antropocêntrico precisa ser reavaliada, ele precisa tirar o capuz da ilusão de que o mundo é perfeito porque você vive num teatro padrão: acorda, toma banho e café da manhã, vai pro seu trabalho ou colégio e quando chega em casa, assiste a alguns vídeos engraçados de animais dançando e pulando ou pessoas caindo com uma musiquinha "cool" de fundo, ou séries que te fazem se sentir mais inteligentes, ou só pra jogar o tempo fora, afinal, o dia foi longo. Voltando no seu carro de vidros foscos, de preferência quase pretos, que é pra você não olhar ao redor, não quer enxergar os "marginais" que andam sem blusas e sem sapatos, e principalmente, não quer que eles te enxerguem. Não. Só a frente do seu carro e o retrovisor servem, que é pra você ter uma vista limpinha. Não quer ver preto na rua pedindo dinheiro, não quer ver criança pedindo pão ou moeda. Se tocar ou bater no vidro já sabe o que fazer : colocar o dedo polegar para baixo e pensar "por que esse menino não está na escola?" ou "cadê a família dele?" ou "esse vagabundo está aí todo santo dia!". Depois segue o caminho, mesmo que use um tapador ao redor dos  olhos, que nem burro de carroça. Aliás, não quer nem ver carroças, quer que saiam do meio do caminho, tem hora pra chegar. E hora custa dinheiro. Tempo é caro. O excesso do capitalismo e seus ideias de lucro só tem causado desigualdade. A internet, o capitalismo e o poder: todos ferramentas criadas pelo ser humano, que poderiam ser utilizadas a favor de uma maioria, mas que são manejadas de uma maneira ruim, que atingem à todos, porque, quando homens e mulheres não se encontram completos com excesso de bens materiais, acabam sendo engasgados pelo vazio da alma, e partem para violência. Mais um segundo passado, e o ciclo acaba de se repetir.

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